quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Testemunho do Pregador do Papa que ora em Línguas

Frei Raniero Cantalamessa
OFM Capuchinho
Agora vou lhes contar sobre a vida nova que o Espírito Santo me deu.
Frei Raniero Cantalamessa
Frei Raniero Cantalamessa
Até 1975, eu era um frade capuchinho que ensinava História das Origens Cristãs na Universidade de Milão, na Itália. Um dia, comecei a escutar pessoas que falavam de uma nova forma de rezar. Uma senhora, de quem eu era diretor espiritual, voltando de um retiro disse-me: “Encontrei pessoas que rezam de um modo estranho: levantam as mãos, batem palmas, são muito alegres e dizem que entre eles milagres acontecem”. Então eu lhe disse: “Nunca mais irás a essa casa de retiros”.
Esses dos quais aquela senhora falava eram carismáticos. Comecei a observá-los e via que algo daquilo que acontecia entre esses irmãosera exatamente aquilo que lemos nas primeiras comunidades cristãs.
Eu não podia negar que havia algo daqueles primórdios da Igreja, contudo havia fenômenos que me perturbavam, como falar em línguas, abraçar-se, profetizar
Certo dia, fui quase forçado a um encontro carismático. Lá fui tomado de uma intensa e nova alegria, que não sabia explicar. Sentia-me sacudido. E, confessando as pessoas, percebia nelas um arrependimento novo, profundo. Eu podia ver e até tocar a graça de Deus. Mas continuava como um observador.
Em 1977, ganhei uma passagem para ir aos Estados Unidos, assistir à grande assembléia carismática ecumênica. Dentro de mim, dizia: “Isto vem de Deus, mas não me agrada”. E as 40 mil pessoas presentes ali cantavam: “Jericó deve cair”. Os meus colegas italianos me diziam: “Escuta bem, porque Jericó és tu”. Eles tinham razão, e Jericó caiu.
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“O Santo Padre também sabe de minha experiência, pois lhe contei pessoalmente”.
Depois do encontro fomos a uma comunidade carismática em New Jersey, onde aceitei receber a efusão do Espírito Santo, mas ainda com certa resistência. Um dos sinais do Pentecostes é Deus falar através dos humildes. Quando as pessoas rezavam por mim, todas as palavras proféticas pronunciadas falavam de evangelização, de Paulo que com Barnabé inicia suas viagens apostólicas, e um irmão proclamou: “Tu provarás de uma alegria nova em proclamar minha Palavra”.
Um detalhe importante é que enquanto se reza para que alguém receba a efusão do Espírito, se diz: “Escolhe Jesus como Senhor da tua vida” e, enquanto me diziam estas palavras, levantei os olhos e vi o crucifixo que estava sobre o altar da capela. Era como se Ele me esperasse para me dizer algo muito importante: “Atenção! Raniero, cuidado! Este é o Jesus que tu escolhes como teu Senhor, o Crucificado. Não é um Jesus fácil, sentimental”. Nesse momento, entendi que a RCC não é um fenômeno superficial, mas algo que nos leva diretamente ao coração do Evangelho, à cruz de Cristo.
Comecei a ler o breviário experimentando algo novo. Vocês sabem que um dos frutos mais evidentes do Espírito é abrir a nossa inteligência para entender as Escrituras. Outro sinal da transformação que o Espírito operara em mim era o novo desejo de rezar.
Três meses depois voltei à Itália e os meus irmãos diziam: “Que milagre! Mandamos à América Saulo e nos mandaram de volta Paulo”.Pouco tempo depois, enquanto rezava com um grupo de oração em Milão, surpreendi-me fazendo a oração: “Senhor, não permita que eu morra como um professor universitário aposentado!” E o Senhor levou a sério minha oração.
Algumas semanas depois, rezando na cela de meu convento, tive a moção interior de visualizar Jesus que retornava do batismo no Jordão e começava a pregar o Reino de Deus, e ao passar por mim Ele dizia: “Se queres me ajudar a proclamar o Reino de Deus, deixa tudo e vem!” Compreendi que Ele queria dizer: “Deixa tua cátedra na Universidade, tua direção de Departamento e te tornes um pregador itinerante da Palavra de Deus, no estilo de São Francisco de Assis”. E ao final daquela oração o Espírito havia colocado em meu coração um “sim”.
Pregador do Papa (à esq.) rezando com fundadores da Comunidade Católica Shalom, em Roma.
Pregador do Papa (à esq.) rezando com fundadores da Comunidade Católica Shalom, em Roma.
Fui ao meu superior geral dizer-lhe que me sentia chamado pelo Senhor. Ele me pediu para esperar um ano. Depois de um ano, ele disse: “Sim, é vontade de Deus, vá”. Assim, tornei-me pregador.Foi o Espírito Santo e a experiência carismática que fizeram deste velho professor universitário um pregador do Evangelho.
A Casa Pontifícia
Três meses depois, recebi um telefonema de Roma, do meu superior geral que me dizia que o Santo Padre, João Paulo II, havia me escolhido como pregador da Casa Pontifícia.O Papa, com tudo o que tem para fazer, cada sexta-feira de manhã, durante a Quaresma e o Advento, deixa tudo e vem escutar a pregação de um frade capuchinho. Quantos de nós vão escutar pregações como o Papa? Ele não falta nunca. Certa vez, estando em viagem pela América Central, faltou a duas pregações; na sexta-feira seguinte, foi ao meu encontro e pediu desculpas por ter faltado a duas pregações.
Foi-me dada a oportunidade de fazer ressoar ali, no centro da Igreja, o que o Espírito Santo está fazendo na Igreja. O Senhor escolheu esse pobre frade capuchinho para fazer chegar ao coração da Igreja aquilo que vivemos aqui, esta força, esta esperança, esta certeza de que o Espírito Santo realizou um novo Pentecostes na Igreja.
Um dia, entendi que era hora de falar ao Papa, aos Cardeais, aos Bispos sobre a efusão no Espírito. Entre outras coisas, eu disse: “Alguns dizem que tendo recebido o Espírito Santo na Ordenação, no Batismo, não temos necessidade desta oração pedindo a efusão no Espírito, mas Jesus não poderia responder: “Eu também não estava cheio do Espírito desde o nascimento de Maria, e mesmo assim fui ao Jordão para ser batizado por um leigo que se chamava João Batista?”
No final da pregação, eu tinha um certo temor e veio ao meu encontro um Cardeal que me disse: “Hoje, nesta sala, ouvimos falar o Espírito Santo”.O Santo Padre também sabe de minha experiência, pois lhe contei pessoalmente. Mesmo assim, já faz mais de 20 anos, e ele não me mandou embora. E aquilo que vocês encontram nos meus livros, quase tudo foi escutado antes pelo Papa.
Frei Raniero pregando para o Papa Bento XVI.
Frei Raniero pregando para o Papa Bento XVI.
Quero lhes contar um último detalhe que nos faz conhecer a grande paciência do Santo Padre e o seu imenso amor pela palavra de Deus. Uma vez por ano devo fazer a pregação, na Basílica de São Pedro, com o Papa que preside a celebração. É porém a única vez que não é ele quem prega. Lida a narração da Paixão, é o pregador da Casa Pontifícia quem deve subir ao altar do Papa e pregar. Na primeira vez, os degraus me pareciam mais altos que o monte Evereste. Falando na Basílica, dei-me conta de que deveria falar muito lentamente, porque há uma grande ressonância. Mas, falando lentamente, o tempo passava e ultrapassou em cerca de dez minutos o tempo previsto. Vocês sabem que imediatamente após essa pregação, toda sexta-feira da Paixão, o Papa vai ao Coliseu fazer a via-sacra, e o secretário, naturalmente, estava muito nervoso e olhava o relógio de vez em quando. No dia seguinte, disse às freiras que depois daquela função, o Papa o chamou e, com muita gentileza, disse: “Quando um homem de Deus fala, nunca devemos olhar o relógio”.
Coragem, e ao trabalho!
ranieroNo dia em que meu superior me permitiu iniciar essa vida nova, no ofício das leituras havia um texto do profeta Ageu: “Coragem, Josué, sumo sacerdote, coragem Zorobabel, coragem todo o povo deste país, e ao trabalho. Coragem porque eu estou convosco, diz o Senhor” (Ag 2,4).
Lida essa passagem, fui à Praça de São Pedro e, olhando para a janela do Papa, comecei a gritar:“Coragem João Paulo II, mesmo se sabemos que és o homem mais corajoso do mundo; coragem Cardeais e Bispos, e ao trabalho, porque eu estou convosco, diz o Senhor”. Isso era fácil, pois não tinha ninguém lá, mas três meses depois eu me encontrava diante do Santo Padre e dos Cardeais e Bispos, e proclamei novamente aquela palavra de Ageu.
Hoje, anuncio estas palavras também a vocês: coragem, povo de Deus, e ao trabalho, à evangelização, à renovação da Igreja, porque eu estou convosco, diz o Senhor!

sábado, 13 de abril de 2013

Vou Pescar




     “VOU PESCAR...”  (Jo21,3)


Queridos filhos e filhas, Paz e Bem.

O Evangelho deste terceiro domingo da páscoa (Jo 21,1-19) nos trás muitos elementos para o crescimento de nossa espiritualidade. Mas quero aqui observar um em particular que me chama a atenção: Disse-lhes Simão Pedro: “vou pescar”. Responderam-lhe eles: “Também nós vamos contigo”. Observemos que Pedro toma a decisão por si só, de ir pescar, e por ter exercer liderança, acabou por influenciar os outros que também seguiram a Pedro.  Ocorreu que a noite foi completamente infrutífera. Não valeu a experiência de anos que o ‘pescador’ Pedro tinha. Mas, por quê? A resposta está no próprio milagre da pesca milagrosa: Disse-lhes ele (Jesus): “Lançai as redes do lado direito da barca e achareis”. Lançaram-na e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes (v6).
                Uma coisa sou eu querer fazer tudo por mim mesmo, seguindo minhas vontades e ímpetos meramente humanos, a outra é eu buscar ouvir a voz de Deus, para saber o que devo fazer naquela situação. Pescar, era algo bem comum e até corriqueiro, fazia parte da rotina deles, mas depois que mergulhamos verdadeiramente em Deus, e aceitamos o seu Senhorio em nossas vidas, submetemos tudo a Ele. Os milagres passam por esta célebre frase: “Senhor que queres que eu faça?”(At 9,6). Uma noite inteiramente infrutífera e bastou o Senhor dizer “jogue a rede direito” e então apanharam tantos peixes que quase se rompiam as redes.
                Meus filhos, tenho visto isto acontecer muito dentro de nossa comunidade. Por isso o Conselho Geral da Obra Paz e Bem vai ficar em atitude de escuta neste domingo para melhor ouvir de Deus onde precisamos jogar a rede. A comunidade vive em estado de graça, e em breve estarei publicando num documento a parte, porém não devemos desviar daquilo que o Espírito Santo nos pede para estes tempos. E uma das coisas mais lindas que Nosso Senhor Jesus Cristo nos colocou, foi a Comunhão de Bens. É neste dia, que podemos contemplar nos olhos de cada um, quantas pescas milagrosas nossa evangelização tem tido. É neste dia que dizemos com gestos concretos, que amamos e servimos a Deus na Comunidade Paz e Bem, fazendo nossa partilha de alimentos e a contribuição para o sustento desta casa. Por isso peço, que faça chegar a cada engajado desta comunidade, o meu apelo a que se façam presentes a nossa comunhão de bens, que neste mês será na sexta feira dia 19 de abril na sede as 19hs. Lembro-me da primeira comunhão de bens que se deu há um ano, eu estava em viagem para Roma e acontecerá algo muito parecido, pois estarei em viagem para o Carmelo da Santíssima Trindade em Patos de Minas para um momento de escuta de Deus e visita a co-fundadora desta obra, Irmã Joana da Cruz.  É um mistério que se dá nestes dois momentos, mas sei que é assim que escuto Deus me dizendo: “Magela, jogue a rede agora”. No Vaticano ou no Carmelo, esta comunhão de bens faz exatamente o mistério da comunhão da Comunidade Paz e Bem com a amada igreja de Cristo através de mim, indigno servo do Senhor.
No mais, desejo que estes momentos a que nossa Comunidade Paz e Bem vive, sejam bem celebrados, com a própria vida, dentro da Comunhão de Bens, nos abraços, na alegria da vida fraterna.

Que o Senhor vos abençoe e vos faça mais que pescadores, pastores uns dos outros, porque é somente assim, que podemos dizer que amamos a Deus: “Pedro tu me amas? Então apascenta minhas ovelhas” (Jo 21,17).





AGENDA PAZ E BEM

ABRIL
18 a 29 Viagem do Fundador ao Carmelo da santíssima Trindade MG
19 – Comunhão de Bens – Sede da Paz e bem – 19hs
20 e 21 – Encontro para pregadores – Fortaleza
Maio – 08 - início da novena de Pentecostes 
             18- Vigília de Pentecostes (Efusão do Espírito no SVES)

Paternalmente:
Gerardo Magela.                                 (em 13 de abril de 2013)